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Telhas de garrafa Pet – Ideia sustentável

Telha de Garrafa PET 228x300 Telha de Garrafa PET

Quando encontrei este “passo a passo” sobre telhas de garrafas pet (http://www.artesanatopassoapassoja.com.br/como-fazer-telhas-de-garrafa-pet/), fiquei pensando na utilidade e na solução que representa essa ideia.

Penso que realmente pode ser uma alternativa excelente não apenas para quem precisa de uma estufa ou um quartinho protegido no quintal, mas, mais ainda, para quem realmente não tem condições financeiras de construir um cantinho para viver com os materiais tradicionais.

Sabe-se que esse material não é perfeito para moradias, por questões como a térmica, visto que aquece muito. Por outro lado, seus aspectos térmicos podem ser úteis, por exemplo, para o aquecimento de água nas residências.

Imagine uma casa em que até as cores das pets fossem pensadas e aproveitadas. A luminosidade das garrafas incolores onde a luz é necessária economizaria energia, não acham? Por outro lado, garrafas escuras ou pintadas ficariam bem nos quartos.

É triste saber que o destino dessas garrafas na maior parte das vezes é o lixo, ao ver essas possibilidades claras de resolver a vida de muita gente de maneira altamente sustentável.

Precisamos repensar nossos processos de reciclagem. O caso das garrafas pet é um exemplo clássico em que a reciclagem comum tem alto custo e é antiecológica, por mais paradoxal que pareça, já que gasta muita energia elétrica no derretimento e nos novos reaproveitamentos do material.

Portanto, ideias boas como essa  precisam ser mais divulgadas. E é necessário que busquemos apoio tanto do governo quanto da iniciativa privada para o seu aprimoramento,  a fim de resolver seus aspectos negativos e aproveitar com sabedoria seus aspectos positivos.

(por Esther Alcântara)

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Cinco ideias de reutilização para deixar suas bijuterias organizadas — EcoDesenvolvimento.org: Sustentabilidade, Meio Ambiente, Economia, Sociedade e Mudanças Climáticas

Conheça algumas ideias ecológicas e criativas que vão te ajudar a organizar as suas bijus sem precisar gastar muito, além de reutilizar o que iria parar no lixo. São peças fáceis de fazer e que podem ampliar seu olhar para as infinitas possibilidades de transformações que qualquer material pode ter.

Em: http://www.ecodesenvolvimento.org/posts/2012/setembro/cinco-dicas-de-reutilizacao-para-deixar-suas#ixzz2CKqM0Rom 

RECOMENDAÇÕES ECOLÓGICAS SOBRE CONSUMO

Consumir conscientemente significa atentar para os efeitos que esse ato acarreta ao meio ambiente, aos trabalhadores, aos estudantes, à comunidade e a toda a humanidade. Buscando superar as desigualdades e obter melhoria das condições ambientais do planeta, o consumidor consciente busca identificar o consumo mínimo que lhe seja confortável para o cotidiano, escolhendo produtos ambientalmente e socialmente responsáveis, priorizando a reciclagem, a reutilização e o compartilhamento.

As principais características dos ecoprodutos são:

· Não poluem ou agridem o ambiente;

· São naturalmente não-tóxicos;

· Não produzem impacto negativo ou destroem as espécies em extinção;

· Possuem baixo consumo de energia durante o processo produtivo;

· Possuem embalagem mínima ou natural;

· Possuem vida útil longa ou permanecem atualizados para o uso;

· Permitem a coleta ou reciclagem após o uso.

Trata-se, portanto, de uma atitude de seleção de produtos que a sociedade consome, dando preferência aos que menos contaminam ou agridem o ambiente, privilegiando os produzidos por empresas que investem na preservação ambiental. Essa nova atitude implica novos padrões de consumo e escolhas, que modificam a maneira de agir ante as questões do dia-a-dia, seja ela representada num simples ato de lavar as mãos até a escolha de tudo aquilo que consumimos: alimentos, roupas, papel, celular, carro, brinquedos ou outros bens que utilizamos para viver.

RECOMENDAÇÕES PARA CONSUMO CONSCIENTE NO SEU DIA-A-DIA

1. Ao usar a geladeira

· Sempre que possível, retire de uma só vez todos os alimentos que vai usar;

· Mantenha a borracha de vedação em bom estado para não escapar o ar frio*;

· Não coloque em seu interior alimentos ainda quentes;

· Não use a parte traseira dos aparelhos para secar roupas;

· Instale seu aparelho em local ventilado, fora do alcance de raios solares e longe do fogão para evitar o aquecimento do motor;

· Não forre as prateleiras com vidros ou plásticos, pois isso dificulta a circulação do ar frio;

· Não desligue o aparelho à noite para ligá-lo na manhã seguinte;

· Faça o degelo quando a camada de gelo atingir a espessura de aproximadamente 1 cm;

· No inverno, regule o termostato para uma posição de frio não muito intenso;

· Durante ausências prolongadas, esvazie o aparelho e o desligue da tomada.

* Dica: para saber se a borracha de vedação está boa, ponha uma folha de papel encostada no batente da geladeira/freezer e feche a porta. Em seguida, puxe a folha. Se ela deslizar facilmente, é sinal de que a borracha não está garantindo vedação. Faça esse teste em volta de toda a porta.

2. Na hora do banho

· Evite banhos prolongados;

· Desligue o chuveiro e feche a torneira quando estiver se ensaboando;

· Procure manter a chave do chuveiro na posição verão(Na posição inverno, o consumo de energia é 30% maior);

· Conserve limpos os orifícios de passagem da água do chuveiro para aumentar a vida útil da resistência elétrica;

· Evite usar o chuveiro elétrico nos horários de pico de consumo de energia – entre as 18 e às 22 horas;

· Não reaproveite uma resistência queimada(Além de ser perigosa, essa prática eleva o consumo de energia);

. Como norma, recomenda-se que se use só o estritamente necessário. As empresas que comercializam produtos de limpeza e higiene têm por hábito sugerir o uso de doses e aplicações acima do necessário, para estimular o consumo dos mesmos;

. Se puder, use o mínimo possível de sabonete no corpo. Lembre-se: os índios e inúmeros outros povos desconhecem esse produto, mas, no entanto, são famosos pela beleza de sua pele e cabelos. Use a famosa bucha vegetal – uma cucurbitácea (da mesma família da abóbora), que é encontrada facilmente no comércio – para retirar a sujeira e células mortas durante o banho. Cuidado para não exagerar ao esfregar-se com a bucha. A rigor, sabonetes devem ser usados nas axilas solas dos pés e partes íntimas do corpo, pois o excesso de uso nas outras partes resseca a pele. Lembre-se: o que realmente hidrata é água! Permita que seu corpo aja por si mesmo.

3. Ao usar máquina de lavar roupas, louças e secadoras

· Use a máquina só depois de ter juntado a quantidade de roupa/louça da capacidade máxima da máquina;

· Limpe com freqüência o filtro das lavadoras de roupas e louças;

· Utilize a quantidade correta de sabão ou detergente para não ter que enxaguar novamente.

4. Iluminação

· Apague as luzes quando os cômodos estiverem vazios;

· Use lâmpadas adequadas a cada tipo de ambiente e ao uso mais ou menos da acuidade visual;

· Evite acender lâmpadas durante o dia, prefira a iluminação natural. Abra bem as janelas, persianas e cortinas e deixe a luz do dia iluminar a sua casa ou seu local de trabalho;

· Pinte as paredes internas e o teto com cores claras, pois estas refletem melhor a luz, diminuindo a necessidade de luz artificial;

· Dê preferência às lâmpadas fluorescentes compactas ou circulares para a cozinha, área de serviço, garagem ou qualquer outro lugar que fique com as luzes acesas mais de quatro horas por dia. Além de consumir menos energia, duram até 10 vezes mais;

· Faça verificações da instalação elétrica quando estiver trocando lâmpadas muito freqüentemente.

5. Ferro elétrico

· Espere acumular uma razoável quantidade de roupas e passe-as de uma só vez;

· Não deixe o ferro elétrico ligado sem necessidade;

· Siga as instruções de temperatura para cada tipo de tecido e passe primeiro as roupas que necessitam de temperaturas mais baixas;

· Evite ligar o ferro simultaneamente com outros aparelhos elétricos. Este eletrodoméstico sobrecarrega a rede de energia.

6. Ar-condicionado e ventilador

· Dimensione adequadamente o aparelho para o tamanho do ambiente;

· Feche portas e janelas ao ligar o aparelho para evitar saída de ar resfriado;

· Cortinas e persianas também devem ser fechadas para evitar que o calor do sol aqueça o ambiente, exigindo mais do motor;

· Limpe os filtros periodicamente, pois a sujeira dificulta a passagem do ar e força o aparelho;

· Instale uma proteção caso você tenha que instalar o aparelho exposto a raios solares;

· Desligue o aparelho sempre que ficar muito tempo fora do ambiente refrigerado;

· Só ligue o ventilador quando estiver no ambiente;

· Regule o termostato para evitar o frio excessivo;

· Experimente colocar o temporizador para 01 hora antes de acordar, pois o ar e a parede resfriados, manterão o frescor do ambiente.

7. Televisão

· Não deixe a TV ligada quando você não estiver assistindo;

· Evite dormir com a TV ligada;

· Utilize TVs mais modernas, pois consomem menos energia;

· Dê preferência para aparelhos com timer (função de desligamento automático).

8. Microondas

· Fornos microondas e ferros elétricos possuem quase a mesma potência. Portanto, sempre que possível, utilize o fogão a gás;

· Utilize vasilhas e embalagens plásticas ou vidros especiais para microondas;

· Nunca altere o tempo com o forno em funcionamento;

· Prefira os aparelhos que têm menor potência, pois consomem menos energia;

· Verifique se a tomada possui fio terra e faça a instalação adequada.

9. Motores e Bombeamento de água

· Promova campanha interna de redução do consumo de água, de modo a diminuir o consumo de energia elétrica no bombeamento da mesma. Evite o bombeamento de água no horário de pico (18 às 22 horas);

· Dimensione adequadamente os motores e dê preferência aos de alto rendimento que, embora sejam mais caros que os do tipo padrão, apresentam maior eficiência energética, reduzindo custos operacionais;

· Na hora da compra, escolha os modelos que possuam o Selo Procel/ Inmetro de Desempenho;

· Desligue os motores das máquinas quando não estiverem operando;

· Elimine vazamentos de água.

10. Uso de telefone ou celular

· Fale somente o indispensável: evite conversas prolongadas ou repetitivas;

· Evite, quando possível, utilizar o telefone nos horários de maior pico;

· Informe-se sobre horário de tarifas mais baratas.

11. Alimentos

· Faça o alimento durar mais: conserve em local adequado, cuidado ao manipular os alimentos e não desperdice;

. Evite consumir alimentos industrializados. Procure consumir alimentos o mais simples possível, de preferência aqueles que sequer possuem embalagem. Dessa forma além de ajudar a natureza, você ajuda a si mesmo;

. Compre alimentos nacionais da estação. Produtos importados costumam conter muitos agrotóxicos para permitir a conservação para a exportação;

. Dê preferência aos alimentos orgânicos. Os agricultores convencionais utilizam agrotóxicos (venenos) nas verduras e hortaliças, e esses agrotóxicos permanecem nos alimentos mesmo após serem lavados, descascados e cozidos. Os nossos avós, que consumiam produtos puros, sem agrotóxicos, tinham mais saúde e não sofriam de doenças como alergias, câncer e degenerações genéticas causadas por produtos químicos contidos nos alimentos. Além disso, os agrotóxicos acabam indo para os rios, contaminando a água e poluindo outros lugares. E deixam um rastro de milhões de embalagens na lavoura. Portanto, mesmo que o alimento orgânico seja um pouco mais caro, com certeza todo mundo sairá lucrando com ele.

· Invente novas receitas e reaproveite as sobras;

· Prefira produtos da estação e aproveite as partes boas de verduras e legumes;

· Faça o cardápio da semana;

· Não estoque alimentos que possuem maior facilidade de se deteriorar.

12. No Supermercado

. Quando fizer compras, evite as embalagens pequenas. Ao optar pelas maiores a quantidade de lixo será menor, e você economizará;

. Sempre que for possível, prefira produtos concentrados aos diluídos, fazendo isso você reduzirá o consumo de embalagens;

. Prefira embalagens retornáveis. Assim você estará evitando jogar fora um material como o plástico, que demora centenas de anos para se decompor;

. Se você recicla, prefira embalagens de vidro pois são mais facilmente recicláveis que as de plástico;

. Prefira os produtos de limpeza biodegradáveis. Você estará ajudando a diminuir o acúmulo de resíduos tóxicos nos rios e mares;

. Se você optou por usar lâmpadas fluorescentes para economizar energia, guarde suas embalagens originais para acondicioná-las após o uso. Então armazene as lâmpadas em algum lugar seguro e aguarde para que criem normas para o recolhimento das lâmpadas usadas.

. Não compre produtos em embalagens de aerossol, como cosméticos e inseticidas. Essas embalagens normalmente contém Clorofluorcarbonos (CFCs), que são os gases responsáveis pela formação do buraco na camada de ozônio;

. Não compre alimentos ou outros produtos com embalagem de isopor. Isopor é, na verdade, uma espuma de poliestireno, obtida a partir do benzeno, produto reconhecidamente cancerígeno. O benzeno é convertido em estireno e depois injetado com gases, que lhe dão a consistência de espuma. Os gases mais usados nesse processo são os CFCs, os mesmos que estão destruindo a camada de ozônio que envolve o planeta. A espuma de poliestireno é totalmente não-biodegradável. O isopor é uma grande ameaça à vida, porque contamina alimentos. Além disso, ao partir-se em pequenos pedaços, podem ser ingeridos por diversos animais.

RECOMENDAÇÕES GERAIS

· Evite Descartáveis
– Na cozinha, dê preferência a toalhas de pano, ao invés do papel toalha;
– Dê preferência ao coador de pano, ou a cafeteira de fogão (por exemplo a italiana), no lugar do coador de papel e da cafeteira elétrica; em último caso, já há no mercado coadores de papel reciclado ;
– Evite utilizar pilhas, ligue os aparelhos na tomada. Além de gerar lixo, uma pilha consome muito mais energia para ser fabricada do que a energia que obtemos dela;
– Pense antes de optar por lâminas de barbear ou depilar, um aparelho elétrico pode sair mais barato, já que dura muito mais tempo. E produzirá menos lixo;
– Se você usa lentes de contato, prefira as duráveis, evite as descartáveis;
– De maneira geral, procure comprar produtos que tenham qualidade e sejam duráveis, mesmo que a princípio eles tenham um custo maior, com o tempo valerá a pena.

Não seja consumista!


– Procure recuperar, consertar, renovar aquilo que você já possui ao invés de comprar coisas novas;

– Sempre que você pensar em comprar alguma coisa, avalie primeiro se você realmente precisa daquilo, ou se a propaganda te seduziu. Um produto dificilmente é tudo aquilo que a propaganda promete;

– Se você não usa mais alguma coisa, não deixe parado na sua casa. Doe, venda ou troque. Faça com que os bens de consumo já existentes possam circular, para que novos bens não precisem ser fabricados. Da mesma forma, sempre que possível prefira os produtos usados.

– Doe ou venda os livros que não te interessam mais;

– Há livros em ótimo estado nos sebos – dê preferência;

– Pegue livros em bibliotecas;

– Leia livros on-line:

Alguns livros se encontram gratuitos na internet, você pode baixá-los, por exemplo, nos seguintes endereços:

Biblioteca Virtual do Estudante Brasileiro (www.bibvirt.futuro.usp.br)

Cultvox (www.ig.com.br)

Ig Ler (www.ig.com.br/paginas/igler)

– Se alguém te oferecer um folheto na rua, não pegue ao menos que tenha certeza que é algo do seu interesse;

– Telefone para as empresas que enviam correspondências que não te interessam e peça para que retirem seu nome de suas listas;

– Não jogue fora um papel antes que ele tenha sido completamente utilizado;

– Quando for comprar, dê preferência aos reciclados;

– Prefira usar papéis não clorados. Com isso você contribuirá para reduzir a quantidade de dioxina produzida pelo processo de branquear o papel. A dioxina é cancerígena e afeta o sistema imunológico.

– Não jogue fora um papel antes que ele tenha sido completamente utilizado;

– Quando for comprar, dê preferência aos reciclados.

FONTE: Programas de Eficiência Energética de Concessionárias; Cartilha Ecológica-UNIFACS; IDHEA- Instituto para o Desenvolvimento da Habitação Sustentável

EDIÇÃO: Esther Alcântara

Como destruir a Amazônia sem sair de casa?

Por João Meirelles Filho *, do Instituto Peabiru

Claro que é culpa da inoperância dos órgãos públicos, que não conseguem controlar desmatamentos, queimadas, e nem a lenha que garante o seu pãozinho de cada dia nas padarias da região e de boa parte do Brasil. Será que a culpa é só daqueles a quem você emprestou seu voto e sua confiança, daqueles a quem você passou procuração para decidir, em seu nome, o que você consome nos supermercados? Ou será este um problema da Nação a que você e eu pertencemos, ou fingimos pertencer.

Como você se sente diante do circo anual quando os chefes da Nação esbravejam ao ver as taxas de desmatamento fora de controle e soltam decretos a torto e a direito, esperando que sejam cumpridos? Você acha que seus chefes realmente levam a sério este assunto? O que eles pensam quando servem seu George (o Bush) um churrasco para na Granja do Torto?

Até quando você vai acreditar nesta novela? Nesta conversa de que medir desmatamento e queimadas serve para alguma coisa? Só serve para dizer o que você já sabe muito bem: a coisa vai muito mal, cada vez pior. Afinal, medir desmatamento e queimada é medir conseqüência e não causa. É como medir a febre do doente; certificar-se de que ele tem mesmo febre e, ir dormir, ir fazer churrasco, nada fazer, esperando, que, se tudo der certo, um dia, o doente, se sobreviver, irá melhorar.

É assim que age o governo que você elegeu, porque, você, cidadão brasileiro não liga a mínima para as causas que provocam desmatamento e queimada. Ou melhor, não está muito interessado em saber que quem causa a destruição da Amazônia é você mesmo, ao comer o seu bifinho de cada dia, o seu churrasquinho de fim de semana, o seu pãozinho de cada dia.

O que efetivamente causa desmatamento? Na Amazônia a resposta é muito clara: a pecuária bovina extensiva, que responde por mais de 3/4 do estrago, e bem depois, muito depois, vem as outras causas, a soja (que cresce rapidamente), a retirada de madeira (que financia as novas derrubadas e pastagens), e muitas outras que, claro, juntas, são terrivelmente devastadoras. Aliás, esta é a história do Brasil. A história da pata do boi. Assim, seus tataravôs engoliram a Mata Atlântica e a Caatinga, e seus pais e você devoram o Cerrado e a Amazônia.

Só se cria boi porque há consumidor de carne. O pecuarista só existe porque ganha mais dinheiro com o boi. Se outra coisa (legal) fosse mais lucrativa, mudaria de ramo. E o pecuarista só cria boi porque há cada vez mais consumidor querendo comer carne, carne barata.

Quem consome a carne da Amazônia é tanto quem mora na região (menos de 10% da produção), como os brasileiros das outras regiões (mais de 80%). A participação das exportações ainda é pequena, inferior a 10%, mesmo se considerar os 600 mil bois vivos que despachamos, sem pagar impostos, para a desabastecida Venezuela e o violento Líbano em guerra.

Hoje, na Amazônia, é possível produzir carne muito barata porque o alto preço social e ambiental não é considerado. O pecuarista raciocina: por que se preocupar em conservar as matas, as águas, as populações tradicionais e as milenares culturas? Por que seguir a lei trabalhista, pagar impostos, legalizar as terras, se não há fiscalização?

O Brasil decidiu (e você participa desta decisão como eleitor e consumidor) transferir 1/3 de seu rebanho para a Amazônia. Na década de 1.960 eram 1 milhão de bois na região, hoje, menos de meio século depois, são 75 milhões. Mais que em toda a Europa! Há muita gente envolvida, não são apenas aqueles 21 mil médios e grandes pecuaristas (com propriedades acima de 500 hectares). Há também 400 mil pequenos pecuaristas, em sua maior parte economicamente inviáveis. Resultado: em menos de 40 anos, somente com a pecuária, destruímos mais de 70 milhões de hectares do mais complexo e desconhecido conjunto de florestas tropicais do Planeta. É pouco, você dirá, menos de 20% da região, ou, se preferir, meros 8% do território do Brasil.

No entanto, esta superfície é superior à soma das áreas do estado do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro somados. Destruídos. Para que? Para você comer picanha, picadinho e croquete mais baratos. Será que alguém realmente se beneficiou com isto? Será que os filhos dos pecuaristas realmente terão uma vida melhor porque estão na Amazônia desmatada? Dificilmente. A pecuária não consegue garantir nem a rentabilidade de uma aplicação trivial em um banco, como a poupança ou um CDB. É o pior negócio que existe, só sobrevive porque é ilegal.

De cada três bifinhos que você come, um vem da Amazônia. Você não pergunta para o seu Zé açougueiro nem para o seu Diniz do Pão de Açúcar ou para o presidente do Carrefour, ou para outro dono de supermercado de onde vem a carne. Você também não pergunta de onde vem a soja, o arroz, e tantos outros produtos. Enfim, como consumidor você sabe muito pouco sobre o que você consome, qual o seu impacto no planeta, quantos quilos de carbono, de água, de suor foram gastos para produzir o seu luxo do momento. Seu fornecedor também não se interessa por educá-lo, informá-lo, orientá-lo. Para ele responsabilidade social é comprar meia dúzia de cestinhas e docinhos de comunidades “em alto risco social” e ganhar comenda e prêmio de associações empresariais.

E se você efetivamente perguntasse ao dono do estabelecimento? E se você fosse às últimas conseqüências, abandonasse o produto na prateleira? E se, de agora em diante, você fosse 100% coerente em relação a sua responsabilidade como cidadão, cidadão comedor das Amazônias? Das Matas Atlânticas? Você deixaria de comprar a carne que vem com gosto de Amazônia queimada, devastada e escravizada? A carne que saiu do norte de Mato Grosso, do sul do Pará, do Marajó, do centro de Rondônia, do sul do Acre e do Amazonas? Você deixaria de comer a Amazônia? Você seria capaz de abandonar seu antigo fornecedor de alimentos se ele não levasse a sério a sua pergunta: de onde vem esta carne? Ou melhor, esta carne vem da Amazônia?

Se sua resposta é: tanto faz, então sugiro que desligue a televisão, vá curtir o seu quente verão de aquecimento global e tome tudo isto como conversa para boi dormir. Se, entretanto, achar que vale a pena seguir adiante, então, tome uma atitude. Pilote com mais atenção o seu carrinho de compras. A cada passo que você dá no supermercado, é você quem decide o futuro do planeta (e não o dono do reluzente estabelecimento, ou o diretor de marketing da empresa, ou o gênio da agência de propaganda que ainda insiste em usar crianças ou em desrespeitar as mulheres para vender mais).

Se você quer entregar algo da Amazônia a você mesmo, ou a seus descendentes, deixe este olhar bovino de lado, abandone seu comportamento de consumidor passivo. O mundo todo já percebeu que o Brasil está transformando a Amazônia em um imenso curral. É isto que você quer? Você acha que o mundo vai mesmo ficar de braços cruzados vendo o Brasil fazer churrasquinho da Amazônia? Pois então, vamos agir, enquanto é tempo, antes que sejamos obrigados, envergonhados, a sofrer sanções internacionais hoje inimagináveis. Vamos enviar o boi de volta para o zoológico e para o presépio, de onde jamais deveria ter saído.

* João Meirelles Filho é autor do Livro de Ouro da Amazônia (3a edição, Ediouro, Rio de Janeiro 2.004)

Crédito de imagem: JS Nature fotos

Leia tudo o que a imprensa publica sobre a Amazônia no blog Amazônia na Mídia: http://amazonianamidia.blogspot.com

Fonte: Envolverde Revista Digital (http://envolverde.ig.com.br/)

© Copyleft – É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.

Mude o Mundo

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Marina Silva é considerada uma das ’50 pessoas que podem salvar o planeta’

 

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A ministra brasileira é a única latino-americana da lista

Por: Esther Alcântara

 

Neste sábado, 05, uma lista inédita foi publicada pelo jornal britânico The Guardian. A lista, preparada por um painel de especialistas, identifica “os 50 homens e mulheres com o poder de nos salvar de nós mesmos”. Entre elas está nossa ministra do meio ambiente, Marina Silva.

A ministra é a única latino-americana da lista, que ainda apresenta nomes como os do ex-vice-presidente americano Al Gore, da primeira-ministra alemã, Angela Merkel, do geneticista americano Craig Venter, do prefeito de Londres, Ken Livingstone, e do ator norte-americano Leonardo DiCaprio.

Sim, temos muito a agradecer e muito do que nos orgulhar com relação a Marina, pois o jornal comenta que, sob sua gestão no ministério, o desmatamento na Amazônia caiu 75%, e vastas áreas de floresta foram destinados a comunidades indígenas. Mas ela corrige, conforme pude assistir num jornal televisivo: “são 59% e o mérito não é só meu, já que se trata da ação conjunta de toda uma região”. Quer prova maior de que honestidade, humildade e competência podem e devem andar juntos?

“Todo mundo concorda que uma ação urgente é necessária para evitar uma mudança climática catastrófica, mas quem realmente tem a influência e as idéias para fazer isso acontecer?”, introduz o Guardian.

O jornal dedica um texto a Marina Silva, destacando sua história como “filha de um seringueiro brasileiro, passando sua infância coletando látex da floresta amazônica e protestando contra a destruição provocada pelos madeireiros ilegais”.

E ainda: “Em uma das grandes histórias políticas, ela passou de analfabeta aos 16 anos à mais jovem senadora do Brasil e agora é a mulher mais capaz de prevenir a total ruína da Amazônia”.

“Mas o futuro, diz Silva, é arriscado. A única maneira de evitar uma perda no longo prazo é com ajuda internacional”, diz o jornal, citando uma declaração da ministra: “Não queremos caridade, é uma questão da ética da solidariedade”.

Água, um bem natural

A guerra da água
por: Leonardo Boff

A água, objetivamente, é um bem natural comum, vital e insubstituível. Ocorre que vivemos numa quadra histórica em que o modo de produção dominante e hoje globalizado transforma literalmente tudo em mercadoria, até as coisas mais sagradas e vitais. Os direitos humanos inalienáveis são rebaixados a necessidades humanas. Para a sua satisfação deve-se obedecer as leis da oferta e da procura, próprias do mercado. Só tem direitos quem puder pagar e for consumidor e não quem for pessoa, independente de sua condição econômico-social. É uma traição aos ideais da modernidade.

A água doce, por ser um bem cada vez mais escasso – somente 0,7% é acessível ao consumo humano – mais e mais ganha preço e se transforma em objeto da cobiça mundial. Vigora uma corrida frenética de grandes multinacionais para privatizar a água, transformá-la em recurso hídrico e em mercadoria com a qual se pode ganhar muito dinheiro. Cuidou-se para que fosse demolida a compreensão humanística e ética de que o acesso à água fosse direito humano fundamental. Conseguiu-se que fosse reduzida a uma necessidade como qualquer outra, cuja satisfação deve ser encontrada no mercado. Foi o que, efetivamente, declarou o Segundo Fórum Mundial da Água em 2000: a água não é mais um direito inalienável mas uma mera necessidade humana.

Agora começou uma guerra ferrenha pelo controle do acesso à água potável. Quem controla, detém um poder de vida ou de morte sobre milhões e milhões de pessoas. Hoje 1,6 bilhão de pessoas tem grave insuficiência de água e em 2020 serão 3 bilhões numa humanidade com 8 bilhões de pessoas. Estas poderão ver negado o acesso à água porque não terão como adquiri-la e estarão sob risco de vida.

Há tempos o vice-presidente do Banco Mundial, Ismali Serageldin dizia com razão: ”Se as guerras do século XX foram por petróleo, as do século XXI serão por água potável”. Com efeito, atualmente existem 50 conflitos no mundo por causa da falta de água, já que 40% da população mundial vive junto a 250 bacias fluviais. A bacia do Trigre e do Eufrates é o centro do contensioso entre a Turquia, a Síria e o Iraque; a bacia do rio Jordão, entre Siria, Palestina, Israel, Jordânia e Líbano; a bacia do Ganges e do Indo entre Bengladesh, India e Paquistão e assim a bacia do Nilo e do Zambesi.

Como enfrentar as hidromáfias e evitar as guerras por água? Em primeiro lugar, demolindo a compreensão materialista que subjaz à lógica das privatizações da água. Ao considerar tudo mercadoria, ela destrói qualquer sentimento ético, ecológico e espiritual, ligado diretamente à água. Em segundo lugar, resgatando o sentido originário da água como matriz de todas as formas de vida sobre a Terra. A água bem como a vida, jamais poderão virar mercadoria. Em terceiro lugar, criando, como muitos o estão propondo, a consciência de que um necessário pacto social mundial deve ser feito em cima do tema da água já que todos precisam dela para viver. Por fim, em nome desta consciência planetária não se há de conceder a ninguém o direito de privatizar a água. Ela deve ser excluída das negociações comerciais a nivel mundial.

A água é um dom que a natureza ofereceu à vida e a cada um de nós. 70% de nosso corpo é composto de água. Porque é tudo isso, a água constitui uma das metáforas mais significativas do Divino que está em nós e no universo e da sacralidade de toda a vida. Como não lutar por ela e cuidá-la?

Leonardo Boff
Fonte: http://jbonline.terra.com.br [28/JAN/2005]

 

 

 

 

“QUEM AMA CUIDA, QUEM CUIDA APRENDE A AMAR”

Reflexão de Leonardo Boff extraída do livro:

Saber Cuidar: ética do humano – compaixão pela Terra